terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

E dura, e dura...



Deixar a labuta por incapacidade de recuperar a concentração. Sorrir incansavelmente a cada passo e perceber estranheza nos olhares cruzados. Percorrer alegremente mais de uma dúzia de estações de metro - bem dispostas entre as linhas verde e amarela -, e fazer um desvio pelo supermercado antes de chegar a casa. Cozinhar com uma satisfação inédita em anos e anos de fogão e continuar assim: positivamente sorridente. Tudo isto graças a 12 minutos e 31 segundos de conversa.

Obrigada Rui!


Não consigo parar de tremer nem consigo desacelerar o meu coração. O Rui Manuel César Costa ligou-me. Gaguejei como nunca para lhe colocar meia dúzia de questões triviais, mas, no final, lá arranjei forma de dizer o que queria: «Rui, sou uma fã incondicional. Peço desculpa por me ter atrapalhado um bocado mas para mim ter conseguido falar já foi uma prova superada. Estou feliz por isso. E tenho a dizer que estive nas bancadas da Luz a assistir ao pior golo da sua vida. Garanto que não houve benfiquista que tivesse saído da Luz com a sensação de empate (1-1). Para nós (que falo em nome da família), ganhámos por 2-0». Sempre com um sorriso iluminado no rosto (que por sinal não se apagará tão cedo), as minhas emocionadas palavras foram recebidas com risos e agradecimentos. Agradecimentos do Rui! RUI, EU É QUE AGRADEÇO! E como a semana é de clássico, antes de desligar tive de me despedir com esta: «Continuação de um bom trabalho. Espero que ganhemos no sábado».

Me liga, vai!


Ando assim desde quinta-feira: desconcertada, ansiosa e sempre agarrada ao Nokia. Desde quinta-feira que não dou um passo sem ele. Desde quinta-feira que não durmo sem o confirmar do meu lado.

Dizer que ando desconcertada e ansiosa é pouco. Devo é estar à beira do precipício da taquicardia. Seja como for, desde quinta-feira que não me sinto em mim. Ando louca porque o Rui Manuel ficou de ligar. O Rui Manuel! A ligar para o meu Nokia!

Só de tentar parar para pensar nisso fico nervosa. Fico nervosa só de pensar na gaguez, ou até mesmo na mudez que me podem tramar. O Rui Manuel! A ligar para o meu Nokia!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Para mal dos meus pecados




Fui contrariada. Mas como já tinha faltado à outra homenagem, achei que seria desejável marcar presença. E foi a pensar na desejável presença, salvaguarda do frágil equilíbrio paternal, que acabei indo. O problema é que fui contrariada. E gente contrariada tende a focar aspectos que despertam ainda mais contrariedades. Logo à entrada, uma ligeira irritação: começou antes da hora?

Não. O ritual principal ainda não tinha começado, mas as preces já se faziam ouvir. Esgueirei-me para tentar perceber que novidade era aquela, enquanto cochichava com a minha gravidíssima linda irmã. E foi entre um e outro sussurro que estive perto de um ataque de riso. Pus-me então a divagar, embora algo incomodada com o desnecessário desrespeito que o meu comportamento trazia àquele culto. Pessoas, conversas, lugares...vi uma avalancha de pensamentos atravessar a minha mente.

Mas nem uma lembrança sobre o motivo daquela homenagem: Agostinho Manuel Cardoso. Sei que foi o pai do meu pai, e, portanto, meu avô, calculo que ainda o tenha conhecido, e reconheço-lhe um importante ramo na minha árvore genealógica. Acontece que, apesar de tudo, não guardo dele uma única memória. Por isso, o que deveria ser uma homenagem, para mim era apenas uma missa.

Com as beatas do costume, cânticos exaltados com letras há muito desajustadas, e um sermão desactualizado dos pecados que correm. Por mais que visse e ouvisse não conseguia ali ver nem ouvir mais fé do que aquela que vejo e ouço quando estou a sós com a minha fé. Por mais que visse e ouvisse não conseguia ali ver nem ouvir mais fé do que aquela que alimento independentemente de igrejas ou religiões. Mas, ironia das ironias, no instante em que tudo acabou a única frase que me veio à cabeça foi um bem católico 'Graças a Deus'.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mãos acéfalas



No lugar onde comecei, as quatro mãos nunca me criaram confusão. Acredito que assim era porque ao quarteto manual correspondia sempre um par de cérebros. Um verdadeiro luxo para o lugar onde me encontro. No lugar onde me encontro, diria mesmo que essa ideia chega a ser um perfeito desperdício! Duas indústrias transformadoras de massa cinzenta para quatro mãos?! Não admira que, no lugar onde comecei, por muita necessidade de harmonizar estilos que sentisse, nunca precisei de afinar letras.


Cada qual no seu registo, lembro-me de ver os caracteres finais aviados a partir de uma compilação de firmes traços transitórios. Firmes como se exige dos que têm o ónus da informação escrita. Uma informação que requer validação factual, e uma escrita que pede no mínimo correcção ortográfica.


Básico demais para tolerar incumprimentos grosseiros, no género dos que ontem indispuseram a minha tarde laboral. Confesso que já ia meio preparada para o vazio da colega, só que acabei tramada pelo meio que me faltava. Mas quem se lembrou de dizer que duas cabeças pensam melhor do que uma? De certeza que não teve a infelicidade de privar com a cabecinha que me saiu na rifa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Minha gente iluminada*



Neste dia em que os raios de luz parecem ter renascido dos dias cinza a que o Inverno os tinha relegado, apelo a que unamos danças em nome da sua total recuperação.

Aceitam-se contribuições presenciais para uma ou duas rodadas de ladies night mais logo, pela Lisboa do costume.

*apelo já devidamente multiplicado por email

Vamos requebrar



É muito simples: basta renunciar ao conforto do lar por algumas horas, tolerar um e outro desconforto de Inverno, escolher uma pista bem sonorizada e entregar o corpo à acção. Digo e repito que com palavras, por mais certas que sejam, a coisa não vai lá. Já o sabia, mas ainda assim dei-me ao trabalho de escrever ao Sr. Inverno. Ouviu-me? Nada disso! Choveu e ventaneou sobre as minhas palavras.


Por isso digo e repito a quem insiste em não me levar a sério: o segredo destes dias soalheiros (e não solarengos como alguns teimam em escrever) está na dança do sol. Para quem não sabe, a dita dança, que, como o nome indica, tem como missão atrair o sol, só funciona quando executada em grupo e em abundância. Precisamente como aconteceu no último fim-de-semana.