quarta-feira, 8 de abril de 2009

Arrepiei-me toda!

CREDO!

Instantaneamente entupido por um acento circunflexo?! Elevado a destaque num plano de paginação?! Cronicamente a-ssa-ssinado por António Lobo Antunes?!

É caso para inverter a lógica de um clássico e gritar: DE SE TIRAR O CHAPÉU!

terça-feira, 7 de abril de 2009

E esta, hein?



É muito raro encontrarmo-nos, por ser muito raro eu iniciar sessão no messenger. Mas ontem esbarramo-nos de novo, à conta de uma combinação familiar de conversa instantânea. Embora normalmente ignore a sua interrogação (quem é?) - poupando-me ao trabalho de explicar a ocasião que há quase dois anos nos ligou os endereços - desta vez deu-me para responder. Então recordei-lhe a ajuda preciosa que me dera num certo trabalho sobre um juiz de nome Odilon.

«Ah! Isso!».

Reconhecimento efectuado, conversa desbloqueada e, sem mais, o clique: «Tou lembrando que pedi seu orkut e cê me falou que não era usuária de redes sociais». Ainda que estranhando o propósito daquela lembrança, devolvi, sem grandes demoras: «Isso. Eu mesma!».

Longe de sonhar com o rumo daquele chat, deparo-me com a proposta, que, mais coisa menos coisa, anunciava isto:

«Uma amiga minha está investigando sobre redes sociais. Coisa puramente académica. Está precisando de cibernautas que trabalhem na área da comunicação e sejam completamente desligados desse mundo. Bem que cê podia quebrar o galho…»

Mas eu? Logo eu? A negação em pessoa das redes sociais? Que utilidade académica poderia ter a minha rejeição às comunidades virtuais?

«Você responde a uma enquete agora, depois responde a outra ao fim de seis (SEIS!) meses de cadastro no facebook. Cê nunca será identificada».

Mas eu? Logo eu? Seis meses de vida virtual em pleno? Sim! Porque não vale fazer apenas a inscrição sem boneco. Tenho de colocar fotos, encontrar amigos, convidar conhecidos…GOD! IT’S TOO MUCH!

«Que nada! Cê nem imagina a dificuldade que minha amiga está tendo para juntar a galera que ela precisa. Quebra esse galho vai…».

Não sei se quebro, mas que estou balançada, estou. Não apenas com o jeito brazuca de escrever, mas sobretudo porque em mais de 40 minutos de conversa ele nunca usou o argumento do reverso da ajuda que em tempos me deu. Agora tenho eu de dar uma resposta até ao início da tarde de quarta-feira, ainda manhã em Mato Grosso do Sul.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Falhas de comunicação

Em vez de perguntar: «O que é que posso dizer ou fazer para ficarem?», bastaria dizer «fiquem», que eu ficava.

Não era óbvio?

Será que no próximo reencontro, a haver novo reencontro, vamos falar a mesma língua?

Contra-ordenação muito grave


Música boa, pista composta, imperiais a dois euros, gingados de dança com um e outro pinta da night, e, auge do auge, o sempre promissor reencontro com o ‘game’ da casa. Ia eu no bom caminho do pode vir quente que eu estou fervendo, quando me vejo indecentemente abandonada. São 4h! Não acredito que queiram mesmo desertar às 4h!

Como queriam (ninguém merece), ainda ponderei agregar-me à companhia de um bailarino de ocasião, com o qual o meu corpo já tinha conjugado ritmos. Mas depois lembrei-me do sinal verde que estaria a enviar e pareceu-me melhor prevenir eventuais manobras de transgressão. Não por uma qualquer estratégia de rejeição do risco, mas porque não queria agravar o acidente da noite. Que é como quem diz: avariar a ligação ao game da casa.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Horários trocados



Conheço-o bem dos prolongamentos noctívagos. Aliás, já estou mais do que traquejada para a forma como se habituou a agredir a minha visão do amanhecer. Mas uma coisa é estar em transe às 7h30 sem um segundo de passagem pela cama, outra bem diferente é interromper abruptamente, às 7h30, uma revigorante passagem pela cama.

Ai, o que hoje me custou! Desabituada que estou dos horários laborais madrugadores, atravessei toda a manhã como uma forasteira na minha vida. Tudo por obra e desgraça de um piquete!

Não há dúvida de que agora tenho mesmo de ir acertar o meu fuso para uma pista.

As minhas séries # 1


Desconfio que foi da mistura. Não me podia cair bem isso de saltar do cortar de fôlego do Wentworth Miller para a narração de uma sincopada história de como o pai de dois adolescentes conheceu a mãe dos mesmos dois adolescentes. Sem dar tempo à digestão, lá acabei por rejeitar a dose de série-extra que o Nuno previa ser do meu gosto.

«Não acredito que não gostaste! Aquilo é muito bom!»


Pois não. Não gostei. E agora quem não acredita sou eu porque aquilo de facto é mesmo muito bom. Tivesse eu abrandado o meu lume de prisão e certamente não ficaria em jejum o tempo que passou. Mas fiquei. Para meu dissabor, limitei-me a reprovar a acção em dois segundos, em vez de me dar ao prazer de saboreá-la.

«Isto tem pouco sal para mim!», enganava-me eu.


Tão enganada estava que, cerca de um ano depois, vejo-me deliciar de diversão episódio atrás de episódio. Um dos últimos apresentou-me uma insólita e desassombrada manobra de engate, frontalmente baptizada de Homem Nu. Aliás, frontalmente e justificadamente baptizada: o homem, companheiro de um encontro de ocasião, aproveita ou cria uma oportunidade de tosquia vestuária, executada longe do olhar da mulher.

Completamente descascado, o homem reaparece-lhe nas vistas provocando um de dois efeitos: ou a mulher entrega-se à sorte do sexo (Why not?), ou o homem é corrido com honras de tarado (What kind of sick people do that?). Tudo isto num enredar apaixonante de sinergias, desenroladas perante o meu assumidíssimo deleite.

Right to the point: How I met your mother é garantidamente das melhores séries que já me passaram o tempo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Escrever engorda?

Cheguei à morada por acaso. Transportada pela boleia de um link, estacionado num blogue de passagem pontual, dei de caras com uma estranha dimensão. Comentários às dezenas, por vezes somados acima da centena, legiões de seguidores, e autênticos julgamentos onde as alegações raramente vão além de insultos e de bajulações.

Num saltitar virginal de experiências, tropeço numa sucessão de endereços de gente para mim desconhecida. Vejo então que cheguei ao afamado ‘centro’ da blogosfera, e alegro-me por viver algures nos seus arredores. Ainda assim, porque não sou pessoa de castrar o saber, decido explorar os caminhos que levam ao centro. Não para minha condução, que estou bem instalada nos subúrbios, mas para eventual orientação do habitante arrivista da blogosfera.

Passo então a descrever o ‘mapa das conquistas’ que me foi dado a perceber. Em primeiro lugar, cria-se um blogue. Depois convém publicar-se umas coisitas de quando em vez para que não haja dúvidas de que se trata mesmo de um blogue. Cumpridos estes dois requisitos primordiais, abrem-se as hostilidades: num ataque desenfreado aos blogues mais populares da praça – segundo atestados de um sem fim de contadores de visitas que fiquei assombrada de conhecer – os arrivistas superam-se em comentários acríticos.

Mesmo que seja para dizer que nada têm a dizer, os deslumbrados da blogosfera comentam e nunca se esquecem de deixar uma ponte para a morada que ocupam nas redondezas. Mais comentário, menos comentário, quem sabe se não se arranja mais uma visitinha? Mas, seguro seguro é partir para a agressividade, que é como quem diz, para a não contemplação da estrela do blogue. Então apelida-se a star de fútil, lamenta-se que goste tanto de se gabar, ataca-se a sua actividade sexual e, pecado dos pecados, questiona-se a escrita e o conteúdo do blogue.

E é assim que, de repente, vemos a estrela sair em defesa do seu imenso brilho. Contra os invejosos, os invejosos e os invejosos (oh, praga!) que teimam em discordar das brilhantes perspectivas, a estrela esmera-se por demonstrar a sua superioridade celestial. Embarca-se então numa sucessão de degradantes duelos, onde dominam argumentos fantásticos como eu escrevo melhor do que tu, eu tenho mais visitas do que tu, ou eu tenho uma vida mais interessante do que tu.

Barbaridade atrás de disparate, sou levada a concluir que no ‘centro’ da blogosfera a escrita prejudica uma leitura saudável. Não só porque engorda egos que se farta, mas também porque torna as letras pesadas e insuportavelmente indigestas.