quarta-feira, 20 de maio de 2009

É o amor


A observação é-me dirigida em pelo menos uma de cada três reacções à minha declaração: «Eu amo o Benfica e quem ama um clube assim assume». Assumindo o amor e o meio plágio à melhor publicidade de sempre (O pior golo da minha vida), só me ocorre pensar que isto do amor tende a ser excessivamente idealizado.

Quem é que se lembrou de restringir o verbo amar a pessoas? Será que há conjugações que esvaziam o verbo de sentido? Ou não será antes a mania de mitificar os sentimentos a esvaziar o amar de sentido?

Podem dissertar o quanto bem entenderem, mas o meu léxico continuará a dispensar dogmas sentimentais. Eu amo o Benfica. De um modo diferente daquele que amo a minha família e os meus amigos mas ainda assim amo. Não me limito a gostar porque o gostar nunca me tirou do sério. O gostar nunca me desregulou o ritmo cardíaco nem nunca me privou do sono.

Aliás, muito para além da boa energia que me liga ao Benfica, quanto mais vivo mais vou preferindo o amar ao gostar. Da mesma forma que mais vou achando que gostar é para os fracos de coração. E eu preciso do meu coração a bater bem forte.

terça-feira, 19 de maio de 2009

As minhas séries #2

Assumo a batota: assim que acabei de ver o episódio de hoje tive de ir a correr para a internet. Andei por fóruns, visitei sites de crítica televisiva e, poucos minutos de navegação depois, pude finalmente aliviar a agonia. Ao contrário do que as imagens me sugeriram, ninguém vai morrer no próximo episódio de Brothers & Sisters. Obrigada internet!

Ooopsss*!


Meti o pé na poça. Não no sentido figurado dos termos, mas sim na literal descrição dos acontecimentos. Meti mesmo o pé na poça, traída pelo acumular de uma chuva que me armadilhou a saída do carro. Molhada até ao mais imperceptível dos ossos, arrependi-me de ter deixado que o programa das danças me convencesse a deixar os pés respirarem das botas. Furiosa e enojada, limpei-me com umas abençoadas toalhitas perfumadas e convenci-me de que o surreal da noite ficava por ali. Mas não ficou.

Já de regresso das voltas nocturnas – depois de um oportuno digerir da fome no Magestic (ou Majestic?), de um abanar de danças no Art e de um animar de pista no W – procuro as chaves de casa e começo a inquietar-me.

Reviro a mala e nada. Apenas as chaves do correio e da minha porta de entrada. Da chave do prédio nem sombra. Lembrei-me então da correria de mais uma saída e pensei que só poderia ter agarrado o chaveiro errado. Pensei também que, nove meses depois da mudança, já era altura de resumir as minhas chaves a um só chaveiro, da mesma forma que pensei que, perto das quatro da matina de uma quinta-feira, não seria de bom-tom tocar a campainha de qualquer um dos meus desconhecidos vizinhos.

Então parei de pensar e passei à acção. Como a minha janela da sala costuma ficar ligeiramente aberta, bastaria alcançá-la para encontrar o meu final feliz. Acontece que, apesar de morar numa cave, alcançar a janela da minha sala tem muito que se lhe conte: a dita espreita para um pátio fechado, acessível apenas a quem esteja munido de uma chave que escancare o sempre trancafiado portão de passagem.

Sem chave para a porta do prédio, nem chave para o estratégico portão, lá tive de escalar um muro, agarrar-me ao topo do portão e lançar-me por ali abaixo. Tudo isto acompanhada de uma barulhenta banda sonora que me desaconselha qualquer tentativa de incursão pelas ladroagens da vida. Grata por não me ter estatelado no chão, e por não ter levantado uma vizinhança de protesto policial, preparo-me para o obstáculo seguinte: impulsionar a perna à altura da janela e deslizar o meu corpo por aquela míngua de espaço.

Já com os pés no sofá que, mesmo sendo de madeira estava a jeito para amortecer o potencial de uma má queda, ouço um barulho que poderia ter evitado toda aquela encenação. Com uma precisão desconcertante, no exacto momento em que pisei o chão da minha sala, vejo o trio acertado de chaves cair do bolso do casaco para os meus pés. Alerta imediato: estou a ficar senil! Sim, porque um qualquer excesso de álcool nunca me deixaria fazer metade daquilo que fiz. Já a demência…

*escrita em dia referente à última noite de quarta-feira

segunda-feira, 18 de maio de 2009

De barriga feliz



Ano após ano, ordena a tradição dos 'meus' aniversários que atribua o exclusivo das oferendas materiais aos aniversariantes e veja distribuir-se, por todos os birthday assistentes, o incorpóreo presente que é a partilha da celebração da vida. Este ano, muito para além do que a tradição tem mandado, orgulho-me de comemorar a vida do próximo aniversário da minha vida com a celebração de uma nova vida. Feliz seja!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A caderneta

Não sei se é do excesso de álcool que as abastece ou do misturar de danças que as favorece, mas as minhas adoradas pistas assemelham-se cada vez mais a uma caderneta, que, fiel a tantas outras colecções do género, destaca-se pela bizarria de alguns cromos. E porque hoje deu-me para folhear as memórias das minhas primeiras aquisições de 2009, recuperei dois dos melhores cromos da época.

Sigam eles...

O primeiro aproximou-se da minha dança depois do que me pareceu ser uma tentativa desesperada de hipnotizar-me ao seu encontro, através de um insistente e melado lançamento de olhares. Agarra-me no braço, puxa-me de forma a alcançar o meu ouvido e dispara confiante: «Estás a dar-me calor». Resultado? Afastei-o e pedi-lhe que fosse arrefecer para bem longe.

Noites depois, já noutra pista, aparece-me outro 'conquistador' disposto a cercar-me os movimentos. Vou-me afastando em busca de espaço, mas como o cerco persiste, passo a emitir os meus sinais glaciares. Podre de bêbado, o predador sai-se com o convite: «Queres ir jantar?». Àquela hora do amanhecer o meu estômago já pedia algum conforto, mas jantar às cinco da manhã? «Não é agora», esclareceu-me. Ah, respondi-lhe, segundos antes de acrescentar: Então achas que temos futuro? Resultado? Ficou ofendido por não o ter levado a sério.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Devaneando


Olho para a felicidade como um meio para a realização, nunca como um fim em si mesmo. Porque se algum dia começar a ver a felicidade como um fim, temo não ser capaz de me entregar a novos princípios.

Olho para a felicidade como uma parte, nunca como o todo. Porque se algum dia começar a ver a felicidade como o todo, receio deixar de viver uma parte vital do meu amadurecimento.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Not again...

Andava eu na boa-vai-ela dos pés destapados, convencidíssima de que era desta que o sol não me largava o look, quando, sem aviso prévio, me vejo novamente entre tapumes.

Confesso que ainda tentei resistir, desfilando umas sabrinas ao início da tarde de sábado, mas com o engrossar dos pingos e o alagar das ruas não tive alternativa senão descalçar-me do desconforto da chuva com umas botas.

Hoje, ao terceiro dia de água precipitada, vêm-me à cabeça as palavras de alguém, supostamente bem informado, que ainda há pouco me assegurava que o mês de Maio ia cozer-se às elevadas temperaturas da semana passada. Só por causa disso, apetece-me pedir-lhe uma indemnização por danos motivacionais. Será que posso?