terça-feira, 6 de outubro de 2009

Já agora...

... que reflicto nisso, vejo claramente que o meu eu no masculino seria ele, ou alguém muito próximo do que é ele.

Coração ao alto




Um amor maior do que o nosso tempo, uma e outra paixão sem especial importância e cada vez mais cruzamentos de ocasião. Olho para trás e reencontro no meu caminho de acelerados batimentos cardíacos ilusões destroçadas por desilusões, desenganos transformados em mágoas, mas, também perdas convertidas em ganhos. Fui feliz por muitos e bons momentos, infeliz por outros tantos e dolorosos instantes, mas 18 anos depois do meu primeiro e, até ver, maior encantamento, nunca estive tão consciente das minhas fragilidades e potencialidades.

Ponho-me então a desejar não ser tão juíza nas primeiras apreciações, nem tão advogada perante o amanhecer das primeiras interrogações. Ponho-me sobretudo a desejar abrir-me mais às relações, por maiores que possam vir a ser as suas ralações. Mas eu que nunca fui fácil de paixões e menos ainda profusa de amores, esbarro sempre os meus desejos na mesma indefinição: vale a pena procurar mais quando no coração nos invade uma certeza de que ali não há nada mais? Ou há momentos em que devemos silenciar o coração para depois o conseguirmos ouvir bater mais alto? 

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Agita Brasil




Já que a República e a chuva conspiram pela minha reclusão doméstica, aproveito para pôr a escrita em dia (ai, tanto que tem ficado por contar), festejando palavras pela vitória da cidade maravilhosa. Depois da Copa do Mundo em 2014, venha o show das Olimpíadas de 2016.

Viver a vida

Sem qualquer relação com a nova obra do meu adorado Maneco (é hoje que volto a ficar agarrada a um ciclo Global), perguntam-me o que quero fazer da vida. Respondo que muito. Para começar quero aproveitar cada momento como se fosse o último.

Ah, e tal, acham por bem recordar-me que a vida não acaba amanhã. A sério que não? Mas quem é capaz de me garantir isso? Como a minha única certeza está no agora, faço por desembrulhar o meu presente pelo melhor e pelo pior que sinto. Porque o amanhã, ao contrário do que titula aquele charme de agente, pode bem morrer. E hoje eu ‘só’ quero viver.

Pecado original

Reconheço que a ideia é boa. Um promocional elogio à originalidade dos sete milhões de 96 e 92 que andam por aí a comunicar. Mas como não conheço uma boa ideia que tenha resistido a uma má execução, dou por mim a praguejar contra o raio do anúncio.

Percebo perfeitamente que se tenham lembrado de mixar os gato RAP e ZDQ, mas ousarem fundir o meu maestro ao pugilista da bola, é mais do que demais. Um original de pesadelo com pecado, é o que é.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

AH, pirata!

A menina que me atendeu ficou tão intrigada com o relato que foi pedir ajuda. Vai daí brindou-me com um compasso telefónico de espera, até voltar com isto para me oferecer: «Não podemos fazer nada. Nem sequer estamos a ver como é que isso é possível. Será que pode passar por uma loja e mostrar as mensagens?».

Poder até podia, mas teria de dormir mais uma noite sobre o assunto. Vai daí lembrei-me de algo de que era a menina que tinha a obrigação de se lembrar! Qualquer SMS está associada a um centro de mensagens, certo?

Volto então à carga, e, desta vez, calha-me um menino. Debito a extensa numeração que o telemóvel exibe e em segundos obtenho uma exclamação de resposta: «Mas esses serviços online já nem são permitidos!».

Como tenho diante dos meus olhos a prova de que nem só de permissões se vive, o menino lá se resigna: «Não vai conseguir nada com isso porque nem a polícia consegue».

Concluo, portanto, que tenho um pirata no meu raio de acção. Penso mesmo, para bem da 'dignidade' do meu argumento, que talvez seja um génio da informática…quiçá alguém tão, mas tão genial que conseguiu rastrear esta minha morada e ler a minha, por ora, eficaz mensagem. Ou terá ele percebido, finalmente, que não era eu a sua destinatária? Assim, como assim, quer-me parecer, pelo silêncio que impera desde ontem, que deste Jorge já me safei. Ufa!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Querido desconhecido que respondes pela assinatura de Jorge Prata,

Dei por ti a entrar na minha caixa móvel de mensagens como quem promete marcar a diferença. Sem número de telemóvel associado, num registo ortograficamente promissor, com palavras de galanteio QB, e toques de escrita reveladores de algum conhecimento do meu ‘estilo de jogo’.

Sim, Jorge. Devo reconhecer que causaste boa impressão à minha leitura. Sim, Jorge. Admito que espicaçar a minha curiosidade é meio caminho andado para despertar o meu interesse. Mas não, Jorge. Não estou a perceber onde é que tu queres chegar. Por acaso já percebeste que não tenho forma de responder às tuas mensagens?

Pois não, Jorge. Ao enviares sms’s de um qualquer site – daqueles que pensava enterrados nos primórdios das minhas comunicações móveis e cibernáuticas – barras-me uma eventual possibilidade de resposta. Por isso não adianta observares que estou «muito calada», nem vale a pena questionares por que razão não digo nada, nem por que raio não faço barulho. O que pensar então de algumas das tuas tiradas? «Depois não digas que não te ligam…eu bem tento??»

Ó querido Jorge, tu só podes estar enganado no 96! Será que ainda não interiorizaste isso? Também já me passeou pela cabeça a ideia de estares tão baralhado dos nervos, que me confundiste com uma qualquer ‘delfim’ da tua vida: pediste-me para ser a melhor da minha turma, feito que «não deve ser difícil?».

Ok! «Não é nada comigo», sossego-me por instantes, para logo de seguida ver-te, de novo, a plantar a confusão em mim. Ligas-me duas vezes de um número confidencial – consta que apenas para ouvir a minha voz –, e, mais uma vez, me pões a reflectir sobre uma das tuas mensagens. Poderás tu saber que decidi partir desta à procura de melhor?

Ou não passam as tuas palavras de uma inquietante coincidência? É que nesta fase das minhas determinações, pedires-me para pensar enquanto é tempo e aconselhares-me a repensar a minha vida, tem muito que me perturbe. Quem raio és tu que ficas transtornado de cada vez que pensas a sério nisto? Nisto o quê? Na minha recente decisão de vida? Por que dizes que para ti é só vantagens, mas para mim não é bem assim?

Dizes que sei que me adoras, despedes-te com um beijão, mas deixas-me pr’aqui completamente perdida num infinito de dúvidas razoáveis. Sim, Jorge, eu sei que é escusado escrever-te porque não tens esta morada, da mesma forma que sei que é escusado escreveres-me sem deixares a tua morada. Mas ele há coisas que não têm explicação e parecem existir apenas para não fazer qualquer sentido.