terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um quarto de longevidade

Não fosse a turbulência de uns nove meses de má memória – agravados pela notícia de um injusto despedimento e assombrados por ameaços de um definitivo fechar de portas – e domingo teria sido um dia de festa. Não fosse a ressaca do mau resultado de sábado – que me encerrou dentro de quatro paredes, afastando-me de usar a minha fúria para morder vítimas – e domingo teria sido um dia de festa. Não fossem as ocupações dos dias – que me distraem das datas mais importantes, diluídas no consumo das horas – e domingo teria sido um dia de festa. Como não foi um dia de festa, acabou por ser um dia esquecido, poucos dias depois de eu o ter lembrado como um dia a recordar. Domingo foi dia 8 de Agosto. No domingo cumpri quatro anos de casa. Não houve festa mas pelo menos não me tem faltado animação.

Peço tolerância

Ao segundo dia de atrofia dos meus pensamentos, na maioria derretidos antes sequer de se assumirem no formato de ideias, deixo ao mundo a minha proposta para todas as estações. Ora então vamos a ela: cada país, de acordo com o clima que lhe aquece ou arrefece as tradições, deveria integrar no plano nacional de saúde uma orientação de tolerância colectiva, aplicável perante desacertos de termómetro. Assim, seria decretada a previdente tolerância de cada vez que as temperaturas escalassem ou descessem os valores máximo e mínimo definidos como aceitáveis para a articulação de raciocínios – na avaliação de especialistas sem ligação comprovada às práticas cegas de Lagoa, tipo eu, eu e eu. Assim, de cada vez que os dias de trabalho exigissem ficar condicionados de ar para se salvarem da nulidade – já agora relembro o quanto essa aparelhagem ventiladora sufoca a pura respiração – lá entraríamos nós em tolerância. Tolerância por não conseguirmos andar mais do que um minuto sem suspirar, isto segundo o cronómetro das pessoas resistentes como eu. Tolerância por não conseguirmos adormecer devidamente as noites, isto a pensar nas reclamações que recolhi hoje, porque o meu dormir ecológico continua a embalar-me que é uma maravilha. Tolerância por não conseguirmos falar com a tagarelice desejada, asfixiando os acessos de verborreia que nos são tão característicos (não, não sou a única). Tolerância por não conseguirmos refrescar o corpo, por mais insistentes e gelados que sejam os banhos.


Tolerância.
Simplesmente tolerância.
À minha, à tua, e à nossa preguiça.
Pela saúde de todos.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Blogando

Sempre que me apanho em blogues que se apresentam com as palavras dos outros invade-me uma simples pergunta: pode alguém promover um espaço de escrita que se presume de autor abdicando à partida da própria autoria?

Confissões de rua

Amo de paixão o trabalho lá fora. A oferta de um mundo novo a cada encontro. Detesto a impertinência dos efeitos colaterais. Como os de hoje, que me deixaram grávida de curvas.

Peço justiça

Ele empurrou-me e puxou-me com toda a sua fúria. Como dei luta ele lembrou-se de me atirar pedrinhas. Pedrinhas e outras armas que os meus olhos semicerrados em modo defensivo não conseguiram identificar. Ele agrediu-me, mas como não posso apresentar queixa apenas me queixo. Contra esse impostor do vento, que, criminosamente, tirou a noite de hoje para me soprar correntes de violência. Bandido!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

1,2, 3…interferência

Emite-se o alerta em jeito de SOS, em jeito de quem luta por uma evolução, em jeito de quem recusa o deixa andar. Recebe-se o alerta em jeito de queixume, em jeito de quem vê na crítica um sinal de destruição, em jeito de quem se entrega à resignação. Entre o emissor e o receptor solta-se então o chavão da praxe: «Não sabia que a nossa relação era assim tão frágil». Eu, Suíça nesta comunicação, encerro assim e apenas por mim, uma tantas vezes reeditada discussão: todas as relações são frágeis por definição porque a força delas depende sempre da nossa construção.

Então, vamos a isto!

À falta de uma Benfica TV – que esta empresa insiste em não ser perfeita – e na ausência de uma ordem de soltura – que hoje a noite é de fecho – decidi aproveitar este raro desafogo de escrita – ai, que as três últimas semanas foram arrasadoras – e investir aqui os meus próximos caracteres. Ora então vamos lá.