No café de todos os dias a caminho do trabalho:
Cliente: «Se faz favor, pode-me indicar o preço de…»
Empregada: «Precisa de um cartão. Tem de pedir um cartão à entrada»
Cliente: «Importa-se de me dizer quanto custa?»
Empregada. «Vai precisar do cartão».
Cliente: «Só se tiver dinheiro para pagar, mas se não me disser o preço continuarei sem saber».
Moral do diálogo: quanto mais canais temos menos comunicamos. E infelizmente não estou a falar de televisão.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Para lá da imagem
No jantar de uma das quintas-feiras que se fizeram de culto, ele, fotógrafo, pergunta se eles, marido e mulher, continuam casados. Estranha-se a dúvida, mas antes de maiores especulações, a explicação dele ouve-se sem demora. «Vi uma foto da festa e fiquei com a sensação de que alguma coisa não estava bem». Confesso-me impressionada com a sensibilidade, dou o devido crédito aos cliques de profissão, distraio-me dias e dias do assunto e agora, ao olhar para a imagem, vejo nas ondas, nas nuvens e na areia um estranho presente.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Palpitações
Assim do nada, com os ouvidos musicalmente entretidos e os pensamentos esvoaçantes pelo pé das letras, a imagem desestabiliza-me o ritmo cardíaco, deixando um passado que em tantos momentos assumo arrumado esgueirar-se pelo presente, e instalar-se incomodamente, sobressaltando o futuro.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Hein?
Os pais, encostados às suas máquinas de condução, esperam pelo filhos, ainda crianças, à porta da escola. Ouve-se o toque que assumo ser o de saída, começa a correria ao encontro dos abraços e, já no remate da feliz acção, quando sobra apenas um miúdo que, lado a lado com o que deve ser uma professora ou auxiliar, encaminha-se para um homem de barba feita. Todos sorriem, sorriem e sorriem, até que nos chega a grande cena: o pirralho pira-se e a sua acompanhante, de cabecinha loira, aconchega-se nos braços do meio barbudo perante uma plateia de olhares que, de repente, perdem a felicidade do momento familiar e ganham uma expressão de inveja. Afinal, que adulto, para usar a linguagem da coisa, é que no seu perfeito juízo prefere os filhos a uma loirinha acoplada a um carro novinho em folha? E a frase? «O bom de ser adulto é que podemos fazer as nossas próprias escolhas». E depois? Uns sentem-se miseráveis porque optaram pela descendência e o outro exultante por se ficar pelo carro e a loira? Mas quem é que compra mensagens publicitárias destas?
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