quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
O verificador etário
Comecei criança, pela mão paterna, no inesquecível templo betanizado. Eu e eles andávamos separados por uns quase 20 anos. Depois entrei naquela idade famosa pelas interrogações, com a mesma certeza de sempre: eu e eles. Aí ficámos mais perto: entre nós esbatia-se uma década, entretanto consumida até à fase do encontro. Aqui estivemos finalmente ela por ela, qual casalinho perfeito. Agora invertemos os papéis: eu avanço para a idade futebolística de pendurar as chuteiras e eles, ainda que com a ajuda do truque da renovação de plantéis, correm a todo o fôlego. Amadurecer também é isto.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Então é isto?
Percebi há dias que estas coisas arrumam-se numa prateleira muito concorrida onde se pode ler a palavra tablets que, passe o meu simplismo, só me faz lembrar bandeletes ou bandoletes. Na realidade é indiferente porque a grafia vai dar ao mesmo acessório que, tal como estas coisas, nunca fez furor na minha cabecinha. Ainda assim, reconheço que isto é bonito de se ver.
Modernices #4
Antes sabia de tudo o que era suposto saber por email, por sms, também através de telefonemas e muitas vezes ainda num animado tête-à-tête. Agora as novidades daquela vida chegam-me aos posts, partilhados com um mundo indiferenciado no Facebook.
Atraso de greve
- É no mínimo ingénuo desfilar a bandeira do direito à greve pelos corredores do sector privado, porque, por mais que o dito esteja constitucionalmente consagrado, não consegue fazer frente à pressão de um despedimento. E quando há empresas a organizar boleias entre funcionários que não se conhecem apenas para garantir que TODOS têm forma de chegar ao trabalho, está implicitamente a dizer que NINGUÉM tem o direito de recusar uma boleia ou uma condução. Isto, claro, se não quiser perder o lugar nas próximas viagens da empresa.
- Se tivesse mesmo, mesmo, mesmo de ir trabalhar, iria. Mas, sendo a quarta-feira um dia que não é carne nem é peixe, não fazia qualquer sentido sair de casa para enfrentar uma desgastante corrida de obstáculos. Primeiro a rodoviária que se calhar andaria, depois a carris que talvez circulasse. Volta daqui e dali, as melhores previsões antecipavam-me cerca de quatro horas de viagens. Por isso, ainda que não tenha feito greve não fui trabalhar.
Dezembro
Chego a este mês e nunca é a Natal que me cheira. Cheira-me sempre a Ano Novo, sinónimo de mais um velho que se esfuma do meu calendário.
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