sábado, 15 de outubro de 2011
Acabadinho de ouvir na TV
29 anos, licenciada em Cinema, pós-graduada numa cena qualquer que mete produção e audiovisuais, ex-emigrante em Bruxelas, desempregada a ponderar nova saída para fora (o que correu mal em Bruxelas? Não percebi!) porque por cá…«Só se for trabalhar para um call center». Huum. Afinal ainda há trabalho. Mas, já agora, se sobrar por aí um emprego, também quero. Até lá, deixo-me trabalhar.
A propósito de indignações
O protesto iniciou-se com um post no Facebook. Where else? A cliente, indignada, protestava contra a inépcia do senhor comerciante/empresário português para o negócio. A descrição encarregava-se do resto: cliente A entra no estabelecimento X quando ainda falta uma hora para as portas fecharem (às 22h) mas depara-se com um cenário de arrumação. Afinal, explica-lhe o dono da casa, todos os dias é a mesma coisa: gente e mais gente interessada em pagar por mais um gelado e se calhar mais um e mais outro...
Afinal, lamenta o dono da casa, é assim desde Fevereiro, por isso convém ir recolhendo mesas e cadeiras antes que a malta resolva abancar e não mais desamparar a loja. Como? Indigna-se a cliente. Tantas empresas a fechar, tantos desempregados em desespero, todos indignados e, no final, vai a ver-se e quem tem a opção de produzir mais prefere produzir menos.
Et voilà! Num ápice, ao jeito de um íman todo-poderoso, o post atrai comentários atrás de comentários, unânimes na condenação da mentalidadezinha do tuga. Fácil, fácil, não é? E a opção de descansar depois de um dia de trabalho no lombo? Ah! Compreendi! Os clientes querem esticar a noite e a conversa com os amigos e famílias custe a quem custar, doa a quem doer. Ah! Compreendi! O senhor comerciante/empresário que nem ouse fazer o mesmo. Que preguiçoso! A burguesia numa de pagar para descontrair e o senhor comerciante/empresário numa de ir repousar.
Mânfio do catano! Ele que se dê ao trabalho de contratar mais pessoal, alargar o horário, multiplicar obrigações, subtrair os próprios direitos. Tudo menos abdicar de uns valentes (quão valentes?) euros todos os dias para ir à vidinha dele. Ou será que, em nome dessa tal de recuperação económica, prosperidade e yada-yada-yada, nos devemos tornar todos robôs ao serviço dos euros? Ah, não! Todos não! Só aqueles que têm como função servir os interesses burgueses daqueles que querem saborear um gelado ao final do dia. Pois-tá-claro.
Afinal, lamenta o dono da casa, é assim desde Fevereiro, por isso convém ir recolhendo mesas e cadeiras antes que a malta resolva abancar e não mais desamparar a loja. Como? Indigna-se a cliente. Tantas empresas a fechar, tantos desempregados em desespero, todos indignados e, no final, vai a ver-se e quem tem a opção de produzir mais prefere produzir menos.
Et voilà! Num ápice, ao jeito de um íman todo-poderoso, o post atrai comentários atrás de comentários, unânimes na condenação da mentalidadezinha do tuga. Fácil, fácil, não é? E a opção de descansar depois de um dia de trabalho no lombo? Ah! Compreendi! Os clientes querem esticar a noite e a conversa com os amigos e famílias custe a quem custar, doa a quem doer. Ah! Compreendi! O senhor comerciante/empresário que nem ouse fazer o mesmo. Que preguiçoso! A burguesia numa de pagar para descontrair e o senhor comerciante/empresário numa de ir repousar.
Mânfio do catano! Ele que se dê ao trabalho de contratar mais pessoal, alargar o horário, multiplicar obrigações, subtrair os próprios direitos. Tudo menos abdicar de uns valentes (quão valentes?) euros todos os dias para ir à vidinha dele. Ou será que, em nome dessa tal de recuperação económica, prosperidade e yada-yada-yada, nos devemos tornar todos robôs ao serviço dos euros? Ah, não! Todos não! Só aqueles que têm como função servir os interesses burgueses daqueles que querem saborear um gelado ao final do dia. Pois-tá-claro.
Pelo trabalho
Hoje que já virou ontem, quatro colegas de outros pisos, todos em horários diferentes, e cada qual com os seus maneirismos de expressão, observaram o seguinte: «Sempre que passo por cá, isto está vazio mas tu continuas aí». Heureca!
Pelo Facebook
Assim, de uma só penada, encontrei malta com cede em vez de sede e descobri gente licenciada pela faculdade Lusófona, convencida de que se formou na faculdade Lusófuna. Estamos em crise, pois estamos.
A caminho de casa
Num difícil equilíbrio entre a mala, o saco de take away do Mcdonalds, a coca-cola, o trincar das batatas e o caminhar, topo um carro de miúdos, aparentemente perdidos, em marcha lenta como quem procura uma direcção qualquer. O arrumador diz que não sabe, eu fixo-me no horizonte e eles chamam-me assim: «Menina, menina!». E eu aqui, a sentir-me uma múmia carcomida por caracteres.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Pergunta retórica
Amo a minha incapacidade de reprimir protestos. Aliás, partindo do princípio que venerar é melhor do que amar, eu venero a minha incapacidade de reprimir protestos. O de ontem apanhou-me na curva da oficialização de mais uma má notícia: pessoal vem aí uma nova revista. Coisa pouca! Mais 75 paginitas por semana e mais uns milhares de caracteres para me cansarem os dedos, as ideias, as vistas e, no limite, a saúdinha.
Calma, miúda! Está tudo controlado, garantem-me. Basta a malta organizar-se melhor. É isso! Organização! A palavrinha que serve de resposta para tudo. Ou melhor, quase tudo. Porque quando lancei uma inocente perguntinha depressa se instalaram silêncios incómodos entre aqueles que hoje, até agora (faltam 15m para as 14h), ainda não puseram cá os pezinhos: ora bem, se estou cá de manhã, de tarde e à noite, onde é que raio vou buscar tempo para me organizar melhor? Devo deixar de dormir? Esqueço os fins-de-semana?
Calma, miúda! Está tudo controlado, garantem-me. Basta a malta organizar-se melhor. É isso! Organização! A palavrinha que serve de resposta para tudo. Ou melhor, quase tudo. Porque quando lancei uma inocente perguntinha depressa se instalaram silêncios incómodos entre aqueles que hoje, até agora (faltam 15m para as 14h), ainda não puseram cá os pezinhos: ora bem, se estou cá de manhã, de tarde e à noite, onde é que raio vou buscar tempo para me organizar melhor? Devo deixar de dormir? Esqueço os fins-de-semana?
terça-feira, 11 de outubro de 2011
As gentes que me descoordenam
Quanto mais leio à minha volta, mais me convenço de que preciso de ajustar a minha formatação. Onde é que param as exigências? Cadê o brio profissional? Para onde foi o desejo de superação? Ó chefias, peço desculpa por ser uma desmancha-prazeres mas, entre outras pequenas coisas, tenho a apontar que o Iémen não fica em África. Ah! Já agora, a Ellen Johnson-Sirleaf não foi a primeira Chefe de Estado de sempre de um país africano, e sim a primeira a ocupar esse cargo por eleição. Olhem, sabem que mais? O mais incrível é que não é preciso ser-se um poço de conhecimentos para comunicar isto. Basta estar ligado.
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