quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

12 passos a caminho do melhor 2010 de sempre*



Está quase! Depois de vos ter embrulhado NaTal época que já passou, ofereço-vos agora 12 meses de linhas para viverem o melhor 2010 de todos os milénios. Se não ficarem satisfeitos, podem desembolsar o vosso tempo na espera da edição do próximo ano. Até lá amadureçam, não envelheçam.

Janeiro
O calendário insiste em marcar a viragem do ano para dia 1. Rebela-te contra esta ditadura de todo o sempre e elege o teu primeiro bom dia de 2010 como o primeiríssimo do ano. Mas lembra-te de lutar pelo teu melhor para não parares no tempo. Move on.

Fevereiro
Alguém, algures, um dia lembrou-se de fantasiar sobre a imagem de um tal de Valentim que era tão santo, tão milagreiro, que curou a sua amada Julinha (diminutivo de Júlia e não jolinha mal concebida) da cegueira. Resumidamente: o amor disparou cego, pouco depois ela começou a enxergar, e, por fim, o pobrezinho acabou morto, num dia 14 de um qualquer ano. Confio em ti para inventares um dia de inspiração personalizada e mais feliz. Yes you can!

Março
E vão três mesinhos de 2010 e lá vem ela. Abre todas as tuas portas e janelas e deixa que a nossa Prima em comum (Vera, claro) floresça coloridamente. A família humana do hemisfério não tropical do Globo agradece, o termómetro dos bons augúrios rejuvenesce e nem encontro palavras para expressar tudo o que as borboletas podem fazer pelo teu ser e estar. Adianto apenas que soube de fonte segura e formosa que os mais emocionalmente dotados sentem-nas sobrevoar as hormonas abdominais. Let it flow


Abril
Qual stresse de fim de primeiro trimestre, qual carapuça! Um mês que começa com mentiras, não deve ser levado a sério. Por isso brinca, brincando (lembram-se disto, crianças pré-PSP?), goza, gozando, desfruta, desfrutando e, por mais penas que te possam rodear, não as deixes chocar, ganhar asas e esvoaçar. Vais ver que, com este Carnaval fora de época, não haverá águas mil capazes de afundar a tua contagiante boa disposição. Play around (na definição não exclusivamente libidinosa)!

Maio
Como prenunciava o meu arcanjo dos cabelos cacheados, na edição pré-natalícia da Bíblia, o presente da Sagrada Família está a ser desembrulhado para este mês (hope so, hope so). Por isso, nada melhor do que uma aclamação de fé entre os melhores na Catedral. E, como a minha religião prega a tolerância, cumpre-me deixar uma palavrinha de alento para os descrentes, pobres almas que pelos futebóis vagueiam perdidas: ide festejar o dia da Europa, ide… Keep the faith (and, just in case, also the fight)!

Junho
Meio do ano e pontapé de saída para o show de bola made in África. Mesmo que a tua selecção não tenha sido para aqui chamada, considera-te por mim convocado(a). Mas fica desde já sabendo que, nos exigentes regulamentos da minha federação, vale tudo menos ‘tirar o time de campo’. Assim como assim, quero ver-te jogar segundo a tradição do continente: de braços abertos (vá, toca a violar as contenções europeias), sorriso rasgado (abre mais um pouco, abre) e muito optimismo (afinal, o que seria do tudo sem o nada?). Become your number one player.

Julho
A todos os que pela primeira vez beneficiam desta rica publicação, afixem bem isto: a minha vida exige comemoração. Dia 7, estejam onde estiverem, sozinhos(as) ou acompanhados(as) façam-se à festa. Com um bocadinho de sorte, porque engenho é coisa que não falta ao meu adorado escrete, a party estica-se até dia 11, sonorizada por vivas de HEXACAMPEÃO. You are the champion!

Agosto
Nos próximos dias, todos os caminhos metem água e areia, por isso o melhor é levares o teu camião à revisão para o poderes extravasar de excessos antes de te fazeres à estrada. Não estás a ver como? Então abre bem os olhos porque eu vejo tão mal à distância que, nestes acertos de pormenor, também não te consigo ajudar. Posso apenas garantir que sem aventuras não há gosto. Test yourself!

Setembro
Arma-te em tudo menos em parvo(a). Guerreados nove anos desde o nine-eleven, o mundo precisa de um upgrade na indústria do terror. Mas nada de imitações ‘al-qaedianas’. Espalha o pânico pelos templos dos impérios nocturnos, atacando pistas atrás de pistas e acumulando reféns aos teus passos de dança. Ai, o menino não dança? A menina também não? Não desanimem. Podem sempre levitar copos (ou corpos, it’s up to you) e disputar o título de reféns do mês! Be your best guest!

Outubro
À falta de boas notícias políticas nos primeiros nove meses do ano (raios, que não há cadeira que o derrube) este é o mês perfeito para vingar as mágoas eleitorais do ano passado. Havendo euros para isso, programa uma viagem além-fronteiras e castiga o país com o êxodo, ainda que temporário, do teu cérebro. Não havendo euros para isso, começa a mendigar por outra viagem além-fronteiras, desta vez menos temporária, e castiga o país por não valorizar a riqueza da tua massa encefálica. Caso não tenhas traumas legislativos para sanar, não te amofines. Já estás a pagar pelos teus pecados! Use your brain to fly.

Novembro
Por esta altura o pessoal das vindimas já se esbaldou (consultar o dicionário verde-amarelo). E tu? O que andaste a fazer no Verão passado, para além de ignorares as minhas valiosas palavras (ai, se o arrependimento matasse…)? Seja lá o que tiver sido, é chegado o momento de contribuíres para a riqueza pátria: por mais que te custe (nem imagino o quanto), dedica alguns brindes à descoberta das últimas tendências do mercado vinícola. Trip on it!

Dezembro
Oh, não! Já é Natal outra vez e não sabes como acelerar em 31 dias tudo o que andaste a travar nos meses anteriores? Don’t worry, mais 24 horas, menos 24 horas, mais cobrança, menos promessa, dou-te boleia no meu jacto para 2011. Here we go again

*descompassados de um tal de acordo ortográfico

As minhas almas de 2009

Olho para trás e, entre curvas, apetece-me salvar o ano com uma retrospectiva de inspiração bíblica. Ámen.


O inferno
Em Fevereiro começou aquela que a bem sofrer foi a minha pior descida laboral às trevas. Seria provisório, não duraria mais do que três meses, e chegava com prescrições de doses generosas de paciência. Mas, para mal dos meus pecados, o acéfalo manteve a determinação de assombrar a minha vida pelo tempo de uma gravidez. De tal forma angustiante, que só de pensar naquela viscosidade de gente apodera-se de mim uma indómita vontade de vomitar. Blhac!


O purgatório
Não sendo cristianizada ao jeito do Florentino Pérez, nem nada que se pareça com isso, a oportunidade é, ainda assim, melhor do que qualquer outra que em Lisboa me pudesse surgir (oportunidades em Lisboa?? Onde? Ainda por cima boas? Pois, pois…). Vai daí aceitei, até porque não tinha como recusar o convite de um accionista que salvou mais de 100 empregos, nem como boicotar os esforços diplomáticos de um director. Vai daí passei o Natal sem o meu núcleo-família e preparo-me para virar o ano longe da festa. Por isso, desde Dezembro que me sinto numa espécie de purgatório da minha vida.

O paraíso
O top mais do ano é liderado sem sombra de contestação pelo nascimento da Leonor, a segunda sobrinha, seguido da notícia do nascimento do próximo bebé, o terceiro sobrinho. Também me encheram as medidas a experiência presidencial no Estádio da Luz, a minha alforria do acéfalo, a valorização da minha bolsa de amizades com a aquisição da desordem, e o acelerar inesperado dos meus batimentos cardíacos, por demasiado tempo afrouxados.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Irresistível

Acabo de receber uma recarga de tantos miminhos que tenho de os postar para desinchar um bocado. Sandrinha do meu coração: qual guardar email, qual imprimir, qual simplesmente ler. Sabes bem que aqui a je nunca faz a coisa por menos. Além de ler e reler, gravar e imprimir, não resisto a postar os teus votos de Réveillon para mim.

O que desejo para ti em 2010 - 50 desejos (bons motivos) para o celebrar(mos)*

Que seja....


...1 o teu ano
...2 o ano da amizade (da nossa, das tuas e das minhas)
...3 um ano familiar repleto de amor
...4 um ano cheio de saúde
...5 das realizações profissionais
...6 cheio de felicidade
...7 do reencontro (em cada chegada tua)
...8 um ano ideal para encontrar um grande amor
...9 o ano da comunicação (seja pela por sms, telefone, carta, facebook, ou outra qualquer rede social)
...10 um ano cheio de paixões fortes
...11 ....................de loucuras
...12 ....................de generosidade
...13 ....................de ritmo e musicalidade
...14.....................de imaginação
...15.....................de dinheiro
...17.....................de dança
...18.....................de sol e de calor
...19.....................de trabalho
...20.....................de recordações
...21.....................de emoções
...22.....................de histórias espantosas
...23.....................de recordações
...24.....................de beleza
...25.....................de conquistas
...26.....................bom sexo (não estava esquecido)
...27.....................de sorrisos
...28.....................de recompensas
....29....................de festas
...30.....................de esperança
...31................... de vitórias do SLB
...32....................de regressos
...33....................de viagens (entre Angola e Portugal)
...34....................de regressos
...35....................de justiça
...36....................de originalidade
...37....................de experiências
...38 um ano bem Português
...39 .................. ambicioso
...40....................autêntico
...41............cheio de lealdade
...42.....................de confiança
...43.....................de sentido de humor
...44.....................de esperança
...45.....................com muitas idas à praia
...46.....................à tua medida
...47.....................em que vais dar o teu melhor
...48....................cheio de conforto
...49....................com muitas caipirinhas XL
....50...................com muitas vodkas com laranja

Afinal acrescento mais uns quantos desejos

...51 um ano cheio de batalhas ganhas
...52 um ano pacifico
...53 com muita segurança
...54 um ano criativo
...55 um ano com poucas lágrimas
...56 um ano cheio de jogo sujo (à moda de P.C.)
...57 um ano cheio de encanto
...58 um ano cheio de liberdade
...59 um ano cheio de talento
...60 um ano solidário
...61 um ano doce
...62 um ano cheio de contrastes
...63 um ano justo
...64 um ano voluntarioso
...65 um ano com muitas convicções
...66 um ano sem complexos
...67 um ano sedutor
...68 um ano cheio de força de vontade
...69 um ano sem falhas de Internet
...70 um ano cheio de surpresas
...71 um ano cheio de magia e sabor africanos
...72 um ano cheio de sucesso
...73 um ano são 365 dias, em cada um deles recebe um beijo meu
...74 um ano cheio de boas notícias...daí...daqui...de todo o lado
...75 um ano em que vou dizer muitas vezes que gosto de ti
...76 o Ano Mundial da Saudade (vou sondar a ver se já existe)
...77 o ano das bebés e dos homens da vida de Paula e Sandra (quem são eles já agora, lol)

Bora Lá!!!!


*Sponsored by Sandra Pinto

Oh, não!

Acabadinha de sair de casa, ao encontro de menos um dia para a minha reforma, vejo uma porção do meu benzido porta-chaves sucumbir ao meu apressado, porém delicado, rodar de chave. Por via das dúvidas, agarrei no pedacinho de não sei que material é aquele e enfiei-o no primeiro espaço de mala que me apareceu ao deslizar do fecho. Xô olho gordo, xô!

Gira a bola #3

Não cumpri a tradição dos sucessivos jantares. Perdi as sempre animadas trocas de prendas, não vi plantada uma única árvore de levar por casa e, tragédia, das tragédias, não acompanhei o ano de estreia natalícia da Leonor.

Pela primeira vez longe do núcleo familiar e do meu pouso passional, este ano vivi o Natal como quem explora uma viagem de desencontros pelo desconhecido, com passagem especial pelo culto dos cabazes. Ou melhor: dos mega cabazes, pacotes de géneros criteriosamente seleccionados a partir de promoções de catálogos, e tão despropositados na forma que exigem uma bagageira espaçosa para serem transportados. Tudo com tamanho preceito que não há trabalhador que não deite contas à ceia antes de deitar mãos ao cabaz que vai açambarcar.

Nisto de captar o mais possível de tudo, dou meia-volta ocular pelo mais básico dos cabazes da minha temporária cultura laboral e depressa percebo a empolgação: 15 quilos de batatas, 24 latas de refrigerante (gasosa, em terminologia local), 24 latas de cerveja, quatro garrafas de vinho, uma da espumante, conservas, azeitonas, bolinhos secos, bacalhau etc e tal.

Continuo a minha ronda pelo mundo novo dos cabazes e logo entendo a origem de uma e outra reclamação: há categorias deles onde até cabem plasmas de televisão.

Na expedição pelos excessos que tanto caracterizam esta nação, tempo ainda para me surpreender com outra tradição de época: a do amigo oculto. Presente em cada encontro de Natal e até nas comemorações de formalidade profissional, o acontecimento está para o angolano Natal como as filhós, rabanadas e sonhos estão para o luso Natal. Com a diferença de que em vez de engordarem as medidas, as festas daqui servem-se para engordar egos e status (sim, eu sei que na tuga também há destas).

Juntam-se a tantas e outras nataltrivialidades – onde se incluem ‘estendais’ de brinquedos nos passeios de venda ambulante – as novidades dos pés destapados em pleno avançar de Dezembro, da exposição de pernas, dos casacos renunciados e de tantas e tantas pequenas particularidades que é grande de gigante a minha constatação : neste respirar estreante de novos ares, invade-me uma incompatibilidade natalícia a modos que antropológica.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Resolução de fim de ano



Apetece-me uma festa. Uma mega, mega festa. Daquelas a abarrotar de caras que me são desconhecidas e por isso mesmo perfeitas para diluir todos os desconfortos dos novos vindos. Apetece-me tanto, mas tanto uma festa que não me vejo a aceitar a casa de praia, a mini-micro-nano festa e o ambiente familiar. Porque se a ideia é agarrar-me a uma alternativa como tábua de salvação, mais depressa fico em casa a sonhar com o Baleal 2009/10.

Ouvir prendas

Sem embrulhos de papel nem lacinhos para desmanchar, este ano recebi os meus presentes pelos ouvidos. E as vozes souberam-me tão bem que estou a pensar inventar uma linha sonora (a interior já cá canta) para, em caso de desespero, telefonar para mim própria.